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quinta-feira, 3 de março de 2011

Frota de Locomotivas aumentando

Foram somente três locomotivas modelo ALCO PA-1 que a Cia Paulista chegou a possuir. Porem tem sua importância histórica. Hoje, o que deve restar delas é apenas ferrugem!




O forte estímulo a ter esta locomotiva, veio de meu amigo Lino, natural de Parapuã, que conta muitas histórias sobre os trens da Paulista. Compartilho com os leitores uma delas:

Quanto à Locomotiva, me lembro que eram 2 que iam de Bauru a Panorama, cujas numerações eram 600, 601 e se não me engano tinha uma terceira que tinha a numeração 602, e eram chamadas pelo pessoal da paulista de JABURU (meu tio era maquinista) .
Em Bauru elas eram substituidas por maquinas elétricas e elas voltavam para Panorama.
Elas puxavam os trens de passageiros, com maior frequencia os trens de luxo, que eram
denominados de trem "R" e vagões de carga.
Eu ia estudar em Adamantina e pegava o trem de luxo "R" que passava em Parapuã impreterivelmente às 7:00 da noite (sem atraso) e voltava para Parapuã, no trem "J" que chegava em Parapuã impreterivelmente às 11:40 da noite.
O trem "J" era de madeira, mas tinha primeira e segunda classe, vagão do correio, vagão do chefe do trem, e o vagão dormitório. Quando o trem chegava em Marilia era adicionado um outro vagão dormitório e mais vagões de segunda e de primeira classe. Se não me engano no trem noturno não tinha carro restaurante, se era anexado à composição era somente a partir de Bauru.
Ainda hoje tenho na memoria, o garçon passando empurrando um carrinho de bebidas dizendo: Olha o guaranaáá, maçanzinha, sodinhaaaaa, quando não era o garçon novamente oferecendo: Olha o Sanduiche, Olha o sanduicheeee,..... ainda sinto o cheiro daqueles sanduichões de mortadela. Minha nossa... como era gostoso um sanduichão daqueles e uma maçanzinha.
Tinha o vendedor de revista que vendia "catecismos" para os estudantes.
Tinha o seu Cezar que era um picotador de bilhetes que morava em Marilia, muito de bem com a vida, ele era poeta e vez em quando mostrava pra gente as obras dele.
Me lembro que um dia ele entrou no nosso vagão (estudantes eramos uns 40 mais ou menos, era gente de Iacri, Parapuã, Osvaldo Cruz, Inubia, e Lucelia), como ia dizendo o Sr. Cezar entrou em nosso vagão anunciando que a proxima cidade era Osvaldo Cruz... mas ele falava Osvárdo Cruiz
e as meninas de Osvaldo Cruz disseram pra ele: Seu Cezar não é Osvárdo Cruiz , é Oswaldo Cruz......ele respondeu : pra merca que é Osvárdo Cruiz ta muito bom.
Xi tem muitas historias....
O trem era uma cidade.



O Trem "J" puxado pela PA-1

domingo, 11 de abril de 2010

Chegada da Nova Locomotiva


Sempre fiel a Cia Paulista, chegou a Consolidation 144. Com isto, consigo mostrar as várias fases desta que foi a melhor ferrovia brasileira, desde a tração a vapor, até a eletrificação, com a V8.

Vale lembrar que as locomotivas a vapor foram utilizadas até os anos 60, junto com as diesel-elétricas e elétricas.



As três modalidades de tração (vapor, diesel e elétrica) conviveram até os anos 60, como se vê na foto abaixo, do pátio de Campinas nos anos 60. Foto obtida no site:
http://www.tsfr.org/~efbrazil/cpef_road.html
onde os créditos ao fotografo estão descritos.

No entanto, com uma composição mista de passageiros e carga, já ocorreu o primeiro descarrilhamento...


Itálico
Mas não foi acidente grave, e os trens voltam a transitar pela maquete...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Visita ao Museu da Companhia Paulista

Como coloquei um trem da CP rodando em minha maquete, fui estudar um pouco desta companhia e fiquei fascinado pela sua rica história.

Conversando com meu amigo Lino, antigo morador de Parapuã e usuário dos trens da Paulista, foi um testemunho enriquecedor, e me estimulou a visitar o museu da CP, em Jundiaí, SP. Decepção....
O museu está onde foram as oficinas da CP, transferidas de Campinas, que graças a epidemia de febre amarela e a falta de espaço naquela cidade, foram construidas em Jundiaí - gigantescas - difícil até de acreditar, para a época. Ao lado, a maquete do que eram estas oficinas.

Porém o que vemos hoje, são poucos móveis e utensílios, e sentimos esforços hercúleos de alguns para tentar manter a memória desta companhia ferroviária que foi provavelmente um exemplo, e deveria ser seguido até hoje.
Esperava ver locomotivas, vagões e outros materiais ferroviários, porém só vi abandono, ferrugem e prédios desabando.

Consegui fotografar o interno de um galpão - inacessível - onde notamos que existe material a ser exposto, porém faltam recursos para viabilizar esta exibição. Telhados parcialmente desmoronados, prédios sem a devida manutenção, do que foi a maior companhia de transporte ferroviário de S. Paulo, me deixaram com um sentimento de vazio e decepção.


O que foi uma escandalosa V8, hoje se rende a ferrugem e a ação do tempo, já com a pintura da Fepasa, agonizando sob as intempéries.

Anos atrás, visitei o museu de Paranapiacaba, que embora também carente de um melhor estado de conservação, concluo hoje que está mais bem preservado que este da CP.

Quando vamos á Europa, e encontramos construções de mais de 800, 1000, 2000 anos, e todo o cuidado com a preservação de cidades e de suas histórias, vemos que temos muito a aprender com o Velho Mundo.
Preservar para as futuras gerações, é antes de mais nada, cultura, educação. É o que nos falta!

Talvez os ferromodelistas possam através de suas maquetes, incorporar um pouco da história do transporte ferroviário brasileiro. Merece uma reflexão....